Protesto contra o ICE, que é reprovado por 63% dos estadunidenses

Publicado por Albry Alves em 25/01/2026 às 08:53



Centenas de empresas em todo o estado de Minnesota, nos Estados Unidos fecharam as portas e muitas pessoas prometem interromper suas atividades cotidianas nesta sexta-feira (23). O protesto é parte de uma greve geral contra a repressão à imigração promovida pelo governo Trump e os abusos cometidos pela ICE,sua força migratória nacional.

Com o aumento das tensões e o medo crescentes detentenção por agentes da ICE,se espalhando pelo estado, vendedores, sindicatos e moradores se preparam para participar de um apagão econômico e se reunir em orações e protestos no que os organizadores chamaram de “Dia da Verdade e da Liberdade”.

“A situação está tensa e emocional, e as pessoas estão sofrendo”, disse ao jornal New York Times o bispo Dwayne Royster, diretor-executivo da Faith in Action, uma das entidades que organizam os atos. Os moradores de Minnesota,disse ele, estão demonstrando “uma profunda resiliência e disposição para se unirem de maneiras que eu não via há muito tempo”.

A greve é apoiada por diversos sindicatos, empresas, pequenos negócios e pessoas que decidiram não trabalhar nesta sexta-feira.

A situação em Minnesota é marcada por um confronto intenso entre residentes locais e agentes federais de imigração (ICE), resultante de uma operação iniciada no final do ano passado que já gerou cerca de 3 mil prisões e episódios de violência nas ruas. A tensão atingiu um ponto crítico após a morte de Renee Good, cidadã estadunidense baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro, o que motivou pedidos de expulsão dos agentes e ações judiciais para restringir sua conduta.

O governo de ultradireita de Donald Trump defende a repressão alegando ser necessária para “erradicar fraudes no sistema de assistência social”. O vice-presidente, JD Vance, classificou os manifestantes como “agitadores de extrema esquerda” e atribuiu o descontrole da situação à falta de cooperação das autoridades estaduais e locais.

Funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS) criticaram a greve em Minnesota, chamando-a de “insana” e questionando por que líderes sindicais se opõem à remoção de imigrantes indocumentados. Manifestantes e autoridades de Minnesota buscam na justiça impedir o aumento do contingente de agentes no estado e limitar suas ações durante os protestos.

“As manifestações em Minnesota são importantíssimas”, segundo a fonte  Brasil de Fato o analista político James Green, professor emérito da Brown University.

“Refletem primeiro solidariedade de pessoas não latino-americanas, não imigrantes, ou seja, cidadãos, muitos brancos, que entendem que uma coisa é deportar pessoas indocumentadas que são assassinos ou violadores, criminosos”, prossegue

“Outra é tentar deportar um milhão de pessoas por ano, que é a meta do governo Trump. Para isso, usam a tática de pegar qualquer pessoa na rua, que pareça latino-americano, que talvez seja indocumentado.”

O historiador estadunidense diz que os agentes mascarados “ficam buscando pessoas com sotaques, prendendo e deportando para mostrar que eles cumpriram a cota, que são 3 mil deportações por dia, para atingir um milhão por ano. É uma violação total dos direitos humanos total, estão prendendo muitos cidadãos americanos, que ninguém anda nos Estados Unidos com seu passaporte”, diz ele.

Desaprovação nacional

Pesquisa conduzida pelo instituto Siena e encomendada pelo New Yor Times indica que grande maioria dos estadunidenses reprova as táticas da força armada e mascarada (os milhares de agentes do ICE atuam sem mostrar seus rostos).

Apenas 36% dos eleitores aprovam o trabalho da agência, contra 63% que desaprovam. Além disso, 61% acreditam que o ICE “foi longe demais” em suas táticas, sentimento compartilhado inclusive por quase um em cada cinco republicanos.

A opinião pública sobre as políticas de imigração do governo Trump e a atuação do ICE revela uma divisão acentuada, com uma tendência de aumento na insatisfação popular. Aproximadamente metade dos eleitores (50%) aprova as deportações de pessoas em situação ilegal e a gestão da fronteira com o México, enquanto 47% se opõem às deportações.

A visão negativa foi influenciada por batidas policiais em cidades controladas por democratas, que geraram caos e protestos, e pelo assassinato de Renee Good. A desaprovação total à forma como Trump lida com a imigração chegou a 58%, com um crescimento notável na parcela que “desaprova fortemente”, que subiu de 39% para 48% desde o início de seu segundo mandato.

Fonte : Brasil de Fato;

Uol noticias;

Nathallia Fonseca.



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