Manuel Neto e o Racismo que Tenta nos Sufocar
A morte do psicólogo Manuel Neto após o episodio ocorrido no camarote em Salvador, não é um incidente isolado; é o culminar de uma violência quotidiana, silenciosa e persistente que homens pretos enfrentam em cidades marcadas pelo racismo estrutural. Quando um homem negro, com competência reconhecida e equilíbrio emocional, é levado ao limite; o sistema revela a sua verdadeira face: uma que não tolera a nossa presença, a menos que seja sob submissão.
A Doença da Cidade Racista
Viver numa cidade que te adoece enquanto te ignora é uma forma de tortura. O racismo age em várias frentes:
Ataque à Competência: O sistema tenta invalidar o conhecimento e a trajetória de profissionais negros, forçando-os a provar o seu valor constantemente.
Destruição da Autoestima: A tentativa de nos desestruturar emocionalmente é uma estratégia para manter o status quo de subalternidade.
A Exigência da “Força Infinita”: Ninguém vê o peso de ser forte 24 horas por dia. O mundo naturalizou a agressividade contra corpos negros, esperando que reajamos com uma calma sobre-humana a insultos desumanos.
“Por Todos os Meios Necessários”
A citação de Malcolm X trazida nesta reflexão torna-se um imperativo de sobrevivência. Defender-se não é apenas um ato físico, mas um ato de preservação da psique e da alma.
Defesa da Saúde Mental: Manuel Neto era psicólogo; ele conhecia as ferramentas de cura, mas até os curadores são vulneráveis aos tratamentos degradantes do estado e das suas instituições privadas.
Visibilidade contra a Invisibilização: O estado da Bahia, por vezes, tenta tratar estas tragédias como fatalidades genéricas. Dar nome a Manuel Neto, contar a sua história e denunciar o racismo institucional é a nossa primeira linha de defesa.
Conclusão: A Morte de Um é a Dor de Todos
A morte de Manuel Neto ressoa em cada homem preto que caminha pelas ruas de Salvador ou de qualquer outra metrópole. É o lembrete de que a nossa “ousadia” em manter o equilíbrio é um ato revolucionário. Não podemos permitir que a sua história seja silenciada. A justiça por Manuel Neto é, fundamentalmente, o direito de todo homem negro de existir, crescer como quiser e ser.
“Eu sou alguém” dizia Jesse Jackson.
Justiça para Manuel Neto. Pela vida de todos nós.
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