{"id":4599,"date":"2021-10-05T12:53:12","date_gmt":"2021-10-05T15:53:12","guid":{"rendered":"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/?p=4599"},"modified":"2021-10-05T12:57:33","modified_gmt":"2021-10-05T15:57:33","slug":"cupula-dos-sistemas-alimentares-da-onu-defende-interesse-da-agroindustria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/?p=4599","title":{"rendered":"C\u00fapula dos Sistemas Alimentares da ONU defende interesse da agroind\u00fastria"},"content":{"rendered":"<p>A mensagem do secret\u00e1rio geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ant\u00f3nio Guterres, durante a Semana Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o em outubro de 2020, ressaltou os riscos e os grandes impactos do sistema alimentar globalizado. Destacou tamb\u00e9m a fragilidade da distribui\u00e7\u00e3o de alimentos escancarada pela pandemia e, como estrat\u00e9gia de solu\u00e7\u00e3o, afirmou\u00a0a import\u00e2ncia da C\u00fapula do Sistema Alimentar 2021 das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>A c\u00fapula \u00e9 uma atividade da\u00a0D\u00e9cada de A\u00e7\u00e3o\u00a0das Na\u00e7\u00f5es Unidas, visto o tempo restante para os governos cumprirem os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Agenda 2023.Tal agenda \u00e9 um documento\u00a0no qual em seu plano de a\u00e7\u00e3o indica 17 objetivos que promovem a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e a vida digna para todos e todas dentro dos limites do planeta Terra.<\/p>\n<p>S\u00e3o metas para que os pa\u00edses,\u00a0em resson\u00e2ncia com suas prioridades,\u00a0atuem num prop\u00f3sito de uma parceria global para que busquemos equil\u00edbrio social, econ\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n<p>Segundo Guterres, \u201cprecisamos de engajamento e a\u00e7\u00e3o global para sistemas alimentares inclusivos e sustent\u00e1veis&#8221;.\u00a0Um dos principais motivos pelos quais \u201cn\u00e3o temos conseguido permanecer dentro dos limites ecol\u00f3gicos do nosso planeta\u201d s\u00e3o os impactos do atual modelo de sistema agroalimentar industrial globalizado.<\/p>\n<p><strong><em>&#8220;Temos perdido saberes e sabores, seguindo dietas baseadas em poucas variedades de cultivos que se assemelham em todo o mundo&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Uma comida cada vez mais padronizada, baseada no consumo excessivo de arroz, trigo, milho e batata, que est\u00e3o entre 12 \u00e9species juntas que representam 80% da nossa alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estimulando uma agricultura de monocultura e em sistema extensivo altamente dependente de insumos externos tal como agrot\u00f3xicos, sementes industriais e transg\u00eanicas, fertilizantes qu\u00edmicos e maquin\u00e1rio pesado. Uma alimenta\u00e7\u00e3o que viaja longas dist\u00e2ncias at\u00e9 chegar aos locais de consumo, ou seja, at\u00e9 a sua mesa.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4600\" src=\"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/agro-industria-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/agro-industria-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/agro-industria.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Essas pr\u00e1ticas de manejo ainda causam graves consequ\u00eancias, como envenenamento das escassas fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, saliniza\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o do solo, perda da biodiversidade e a grande emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.\u00a0Temos sofrido altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas consider\u00e1veis ao longo dos anos, acarretando em grandes cat\u00e1strofes ambientais, como longos per\u00edodos de seca, com impacto direto\u00a0 na agricultura.<\/p>\n<p>O melhoramento das variedades realizado ao longo de s\u00e9culos pela experimenta\u00e7\u00e3o dos agricultores a partir de pr\u00e1ticas tradicionais e agroecol\u00f3gicas, como a sele\u00e7\u00e3o de sementes t\u00eam sido deixadas de lado em favor de novas t\u00e9cnicas e insumos industriais que amea\u00e7am a soberania alimentar pela redu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e variedades de plantas, bem como de ra\u00e7as animais, como ressalta a pesquisadora Esther Vivas Esteve, no livro &#8220;O neg\u00f3cio da comida: Quem controla nossa alimenta\u00e7\u00e3o?&#8221;, de 2017.<\/p>\n<h3><strong><em>Mas a grande quest\u00e3o \u00e9 como em um planeta com tanta abund\u00e2ncia de alimentos, onde o desperd\u00edcio alcan\u00e7a n\u00fameros estratosf\u00e9ricos, h\u00e1 tantas pessoas que n\u00e3o t\u00eam o que comer?\u00a0<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>Segundo Josu\u00e9 de Castro em seu livro \u201cGeografia da Fome\u201d, a fome \u00e9 \u201cfabricada pelos homens contra os homens\u201d. Sua posi\u00e7\u00e3o de classe decide o que e se voc\u00ea vai comer. H\u00e1 tamb\u00e9m pessoas obesas, resultado do modelo de oferta de alimenta\u00e7\u00e3o<em>\u00a0fast food\u00a0<\/em>e pelo fato dos alimentos frescos serem financeiramente menos acess\u00edveis.<\/p>\n<p>\u00c9 um sistema complexo, com padr\u00e3o de consumo globalizado, que defende e \u00e9 financiado para servir interesses corporativos o tempo inteiro. O processo denominado \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d prometeu modernizar o campo e acabar com a fome e continua repetindo as mesmas\u00a0promessas e nos deixando \u00e0 merc\u00ea de uma agricultura privatizada, em m\u00e3os de um grupo reduzido de corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4605\" src=\"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Lucro-para-se-alimentar-1.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"186\" \/><\/p>\n<p>Cerca de 84% do mercado mundial de agrot\u00f3xico \u00e9 controlada por quatro empresas:\u00a0<strong>Bayer-Monsanto<\/strong>, com sede na Alemanha, e 27,4% do mercado; <strong>Syngenta-ChemChina,<\/strong> com sede na Su\u00ed\u00e7a\/China, e 26,9% do mercado;<strong> Dow-Dupont (Corteva),<\/strong> com sede nos EUA, e 16,8% do mercado e <strong>Basf<\/strong>, com sede na Alemanha, e 12,9% do mercado.\u00a0Essas mesmas empresas controlam o neg\u00f3cio das sementes e fertilizantes qu\u00edmicos. \u00c9 muito poder em poucas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Dez multinacionais controlam o mercado mundial de alimentos,\u00a0\u00a0<strong>Nestl\u00e9, PepsiCo, Unilever, Mondelez, Coca-Cola, Mars, Danone, Associated British Foods (ABF), General Mills e Kellogg \u2018s<\/strong>,\u00a0No Brasil dentre as maiores varejistas da rede de supermercados e hipermercados est\u00e3o: Carrefour,\u00a0Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e Grupo Big (ex-Walmart).O setor \u00e9 reposns\u00e1vel por 15% vendas totais no varejo.<\/p>\n<p><em><strong>&#8220;Essas corpora\u00e7\u00f5es imp\u00f5em um modelo de agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o que &#8216;engolem&#8217;\u00a0o campesinato&#8221;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4601\" src=\"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/alimentacao-multinacionais-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/alimentacao-multinacionais-300x150.jpg 300w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/alimentacao-multinacionais-768x384.jpg 768w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/alimentacao-multinacionais-200x100.jpg 200w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/alimentacao-multinacionais.jpg 980w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 controlar toda a cadeia da mat\u00e9ria prima at\u00e9 a mesa, reduzir custos de produ\u00e7\u00e3o e aumentar o pre\u00e7o final dos alimentos, para obterem mais lucro. Ao agricultor \u00e9 pago o menor valor poss\u00edvel, determinam como deve ser a produ\u00e7\u00e3o, como se deve produzir, em quais condi\u00e7\u00f5es e onde deve ser vendido.<\/p>\n<h3><strong>A C\u00fapula<\/strong><\/h3>\n<p>Em tempos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, uma estrat\u00e9gia do sistema alimentar globalizado \u00e9 o uso de bandeiras ecol\u00f3gicas como estrat\u00e9gia de marketing. Apropriam-se, por exemplo, de sistemas como os org\u00e2nicos e implementam a proposta esvaziando-a de qualquer pretens\u00e3o de mudan\u00e7a social, com objetivo de neutralizar as sugest\u00f5es. \u00c9 uma agricultura ecol\u00f3gica \u00e0 servi\u00e7o do capital, com alimentos viajantes e car\u00eancia de direitos trabalhistas, como tamb\u00e9m destaca\u00a0Esther Vivas Esteve.<\/p>\n<p>Esse processo de apropria\u00e7\u00e3o \u00e9 eminente e ocorre tamb\u00e9m na C\u00fapula dos Sistemas Alimentares 2021, que aconteceu entre os \u00faltimos dias 23 e 24 de setembro, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>De acordo com a Via Campesina (2020), a organiza\u00e7\u00e3o tem se tornado mais um espa\u00e7o de influ\u00eancia de lobbies corporativos defendendo os interesses da agroind\u00fastria, colocando em risco a soberania alimentar e o futuro do planeta. A c\u00fapula n\u00e3o foi pensada para a participa\u00e7\u00e3o social, que poderia ser um somat\u00f3rio de vozes de camponeses(as), organiza\u00e7\u00f5es de povos ind\u00edgenas, quilombolas, movimentos sociais rurais, trabalhadores(as) agr\u00edcolas, bem como os\u00a0 consumidores da cidade, participando na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas alimentares.<\/p>\n<p>A convoca\u00e7\u00e3o da C\u00fapula dos Sistemas Alimentares 2021 foi anunciada pelo Secret\u00e1rio geral da ONU em resposta a um pedido formulado pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o setorial privada que representa os interesses corporativos globais.<\/p>\n<p>Teve tamb\u00e9m o apoio crucial de alguns Estados nacionais \u201cmais desenvolvidos\u201d. Se mostra \u00e0 servi\u00e7o de uma elite que no uso de seus bra\u00e7os corporativos transnacionais continuam a acumular capital e destruir o planeta, sustentados na fal\u00e1cia da qual se veste de combate \u00e0 fome.<\/p>\n<p>Se o objetivo \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o profunda do sistema agroalimentar, como apresenta o discurso de Guterres, a C\u00fapula dos Sistemas Alimentares 2021 das Na\u00e7\u00f5es Unidas deve ser inclusiva e representativa.<\/p>\n<p>Pautar a produ\u00e7\u00e3o local de alimentos, que sejam\u00a0biodiversos e agroecol\u00f3gicos. Proporcionando mudan\u00e7as sist\u00eamicas na prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, reconhecendo os perigos da inefici\u00eancia da agricultura industrial e fortalecendo a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e camponesa.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio promover a autonomia, desenvolvimento e acesso a tecnologias sociais populares para uma produ\u00e7\u00e3o livre de agrot\u00f3xicos, de biotecnologias (transg\u00eanicos e outras) excludentes para o acesso \u00e0 uma alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade, associando a processos organizativos locais, para a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e envolvendo agricultores, trabalhadores consumidores, do campo e da cidade, assegurados por pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o da soberania alimentar \u00e9 preciso implementar a\u00e7\u00f5es concretas para extinguir a fome no mundo, conservar a vida das matas, das \u00e1guas e a qualidade de vida das pessoas.<\/p>\n<p>Fonte :\u00a0 Brasil de Fatos;<\/p>\n<p>MPA-\u00a0<em>Movimento dos Pequenos Agricultores.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mensagem do secret\u00e1rio geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ant\u00f3nio Guterres, durante a Semana Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o em outubro de 2020, ressaltou os riscos e os grandes impactos do sistema alimentar globalizado. Destacou tamb\u00e9m a fragilidade da distribui\u00e7\u00e3o de alimentos escancarada pela pandemia e, como estrat\u00e9gia de solu\u00e7\u00e3o, afirmou\u00a0a import\u00e2ncia da C\u00fapula do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4604,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,23,4,14],"tags":[],"class_list":["post-4599","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-imparcial","category-noticia","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4599"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4599\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4607,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4599\/revisions\/4607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}