{"id":4480,"date":"2021-06-13T18:44:07","date_gmt":"2021-06-13T21:44:07","guid":{"rendered":"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/?p=4480"},"modified":"2021-06-13T18:44:54","modified_gmt":"2021-06-13T21:44:54","slug":"trabalho-infantil-volta-a-aumentar-em-todo-o-mundo-apos-duas-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/?p=4480","title":{"rendered":"Trabalho infantil volta a aumentar em todo o mundo ap\u00f3s duas d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil se retorna o mapa da fome e o p\u00e9ssimo retrato do trabalho infantil, neste Dia Mundial contra o Trabalho Infantil (12), o mundo tem ao menos 160 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil. Segundo relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o internacional\u00a0 do trabalho (OIT) e do fundo das na\u00e7\u00f5es unidas,\u00a0lan\u00e7ado nesta semana, o n\u00famero reflete aumento de 8,4 milh\u00f5es de meninas e meninos no per\u00edodo de 2016 a 2020. Outros 8,9 milh\u00f5es correm o risco de serem v\u00edtimas dessa explora\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ano que vem. Assim, os dados dos \u00faltimos cinco anos sobre o trabalho infantil revertem a tend\u00eancia de queda verificada de 2000 a 2016, quando havia diminu\u00eddo em 94 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4481\" src=\"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-300x189.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-300x189.jpg 300w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-768x483.jpg 768w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>No mundo, a pandemia \u00e9 uma das principais causas desse agravamento, mas n\u00e3o se pode aferir isso ao Brasil, que n\u00e3o fornece dados desde 2018. Entretanto, o pa\u00eds j\u00e1 apresentava, ent\u00e3o, em raz\u00e3o do abandono de pol\u00edticas sociais e do desemprego geral, quase 2 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de trabalho indevido.<\/p>\n<p>H\u00e1 um aumento significativo no n\u00famero de crian\u00e7as de 5 a 11 anos em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil, que corresponde a mais da metade do total global. Outro alerta do relat\u00f3rio \u00e9 o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos em trabalhos perigosos, que p\u00f5em em risco sua sa\u00fade e seguran\u00e7a: chegou a 79 milh\u00f5es. Eram 6,5 milh\u00f5es de 2016 a 2020.<\/p>\n<p>Para o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, os dados s\u00e3o um alerta: \u201cN\u00e3o podemos ficar parados enquanto uma nova gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u00e9 colocada em risco\u201d, diz. \u201cA prote\u00e7\u00e3o social inclusiva permite que as fam\u00edlias mantenham suas crian\u00e7as e seus adolescentes na escola, mesmo em casos de dificuldades econ\u00f4micas.\u201d<\/p>\n<h2><strong>&#8221;\u00a0Cerca de 28% das crian\u00e7as de 5 a 11 anos e 35% dos meninos e meninas de 12 a 14 anos em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil est\u00e3o fora da escola.&#8221;<\/strong><\/h2>\n<p>Nos pa\u00edses da \u00c1frica ao sul do Saara, s\u00e3o mais 16,6 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes no trabalho nos \u00faltimos quatro anos. As principais causas s\u00e3o o crescimento populacional, crises recorrentes, pobreza extrema e medidas de prote\u00e7\u00e3o social inadequadas. Mas em regi\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es levemente melhor, como \u00c1sia, Pac\u00edfico, Am\u00e9rica Latina e Caribe, a causa \u00e9 a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4482\" src=\"http:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/trabalho-infantil-1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o deve piorar no pr\u00f3ximo ano. A pandemia de covid-19 pode empurrar mais 8,9 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes para o trabalho infantil. Para a OIT e Unicef, choques econ\u00f4micos adicionais e fechamentos de escolas indicam que crian\u00e7as e adolescentes j\u00e1 estejam em situa\u00e7\u00e3o de trabalho. E devido \u00e0 perda de emprego e renda de suas fam\u00edlias, podem estar trabalhando mais horas ou em condi\u00e7\u00f5es ainda piores.<\/p>\n<p>Na agricultura est\u00e3o 70% das crian\u00e7as e dos adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil (112 milh\u00f5es), seguido de 20% pelo setor de servi\u00e7os (31,4 milh\u00f5es) e 10% na ind\u00fastria (16,5 milh\u00f5es). A preval\u00eancia de trabalho infantil nas \u00e1reas rurais (14%) \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior do que nas \u00e1reas urbanas (5%).<\/p>\n<h3><strong>&#8220;O trabalho infantil prevalece entre meninos em todas as idades. Exceto quando se leva em considera\u00e7\u00e3o tarefas dom\u00e9sticas por pelo menos 21 horas por semana &#8220;<\/strong><\/h3>\n<p>O relat\u00f3rio da OIT\/Unicef n\u00e3o incluem dados do Brasil, j\u00e1 que o governo n\u00e3o os divulga desde 2018. Mas dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Dom\u00edcilios Cont\u00ednua (Pnad\/IBGE) referentes a 2019 apontam 1,758 milh\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil. Desse total, 66,1% eram pretos ou pardos. O dado exclui adolescentes que trabalhavam de forma legal, por meio de contrato de aprendizagem.<\/p>\n<p>Dados coletados pelo Unicef em S\u00e3o Paulo apontam para o agravamento da situa\u00e7\u00e3o durante a pandemia. Um levantamento de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o de renda e trabalho com 52.744 fam\u00edlias vulner\u00e1veis de diferentes regi\u00f5es de S\u00e3o Paulo, que receberam doa\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o e seus parceiros. Entre os dados levantados de abril a julho de 2020, o \u00f3rg\u00e3o identificou a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, com aumento de 26% entre as fam\u00edlias entrevistadas em maio, comparadas \u00e0s entrevistadas em julho.<\/p>\n<h3><strong>&#8220;Crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil correm risco de danos f\u00edsicos, mentais e sociais. T\u00eam educa\u00e7\u00e3o comprometida e direitos restringidos, limitando oportunidades futuras&#8221;<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cTemos de desmistificar que \u00e9 melhor que a crian\u00e7a esteja trabalhando do que roubando. Para muitas crian\u00e7as, o trabalho \u00e9 a porta de entrada para a criminalidade, uso de drogas, tr\u00e1fico e explora\u00e7\u00e3o sexual. H\u00e1 o aliciamento para as drogas, o tr\u00e1fico, a explora\u00e7\u00e3o. Por isso o trabalho infantil e a situa\u00e7\u00e3o de rua s\u00e3o extremamente perniciosos\u201d, disse Ariel de Castro Alves, advogado, especialista em direitos humanos pela PUC- SP.<\/p>\n<p>\u201d Temos tamb\u00e9m que lembrar que o trabalhador infantil de hoje ser\u00e1 o subempregado, desempregado de amanh\u00e3. Precisamos de gente altamente qualificada para um mercado de trabalho exigente. Se a classe m\u00e9dia pode ir para o mercado depois de uma p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, porque a crian\u00e7a pobre n\u00e3o pode estudar? Precisamos sensibilizar a sociedade para esse tema.\u201d<\/p>\n<p>Integrante do Instituto Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente, o ex-conselheiro do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente), participou nesta ter\u00e7a-feira (9) de live de lan\u00e7amento do livro\u00a0Meninos Malabares\u00a0(Panda Books).<\/p>\n<h2><strong>V\u00edtimas da explora\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong><\/h2>\n<p>De autoria dos jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano, a obra conta a hist\u00f3ria de dez meninos e meninas vitimas da explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil. Nos sem\u00e1foros, cemit\u00e9rios, lanchonetes ou no campo, tentam sobreviver ganhando seu pr\u00f3prio dinheiro para se alimentar ou ajudar suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Lembrando que o trabalho infantil, a exclus\u00e3o escolar e a falta de programas sociais j\u00e1 existiam antes da pandemia, Bruna defendeu pol\u00edticas intersetoriais, em diversas frentes, para erradic\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u201cPara o enfrentamento dessa mazela, precisamos de moradia digna para as pessoas, educa\u00e7\u00e3o, emprego para os pais. Uma das consequ\u00eancias do trabalho infantil \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o do ciclo da pobreza, tem ra\u00edzes profundas no Brasil, na escraviza\u00e7\u00e3o negra. Tanto que todos os personagens do livro s\u00e3o crian\u00e7as negras\u201d, disse.<\/p>\n<p>E foi al\u00e9m: \u201cQuando a gente reproduz os mitos do trabalho infantil tem de pensar bem. Pra quem a gente est\u00e1 defendendo trabalho infantil? Pros filhos da classe m\u00e9dia e alta? A gente faz uma distin\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as e menores. Quem s\u00e3o as nossas crian\u00e7as? E nossos menores?\u201d, questionou, referindo-se a uma manchete de jornal emblem\u00e1tica: \u201cAdolescente \u00e9 assaltado por menor\u201d.<\/p>\n<p>Fonte : Brasil e Fatos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil se retorna o mapa da fome e o p\u00e9ssimo retrato do trabalho infantil, neste Dia Mundial contra o Trabalho Infantil (12), o mundo tem ao menos 160 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil. Segundo relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o internacional\u00a0 do trabalho (OIT) e do fundo das na\u00e7\u00f5es unidas,\u00a0lan\u00e7ado nesta semana, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4483,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,13,23,4,21],"tags":[],"class_list":["post-4480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-educacao","category-imparcial","category-noticia","category-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4480"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4480\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4484,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4480\/revisions\/4484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogopublicoba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}